A Praia do Cassino não surgiu apenas como destino de verão. Sua história começa no final do século XIX, quando Rio Grande buscava criar, na costa oceânica, um balneário inspirado nas estações de banho europeias. Em 17 de dezembro de 1885, a Companhia Carris do Rio Grande recebeu a concessão para explorar o empreendimento. A primeira viagem de trem levando veranistas até o então balneário aconteceu em 26 de janeiro de 1890.
A partir daí, a Praia do Cassino passou a construir uma identidade própria, marcada pela relação entre a cidade, o oceano e as pessoas que frequentam esse trecho do litoral do Rio Grande do Sul.
Uma praia diferente
Localizada a cerca de 22 quilômetros do centro de Rio Grande, a Praia do Cassino é conhecida pela sua extensa faixa de areia e pela possibilidade incomum de circular de carro junto ao mar. A Prefeitura de Rio Grande destaca também a presença de dunas preservadas, observação de aves migratórias, animais marinhos, pesca e esportes como o surf.
A dimensão da praia sempre fez parte do imaginário de quem vive ou visita a região. O turismo oficial do Rio Grande do Sul registra a faixa contínua que se estende dos Molhes da Barra em direção ao Chuí e a associação histórica da Praia do Cassino com o título de “maior praia do mundo”.
Mas a importância da Praia do Cassino não está apenas em números.
Ela está nos hábitos que se repetem há gerações.
Os Molhes e a relação com o mar
Os Molhes da Barra são um dos principais símbolos da região.
Construídos entre 1909 e 1915 para melhorar as condições de navegação na entrada do Porto de Rio Grande, os molhes avançam quilômetros sobre o Oceano Atlântico e se transformaram em um dos principais pontos turísticos da região.
Ali estão as tradicionais vagonetas, pequenos veículos sobre trilhos movidos pela força do vento, conduzidos pelos chamados vagoneteiros. O passeio pelos molhes se tornou parte da experiência de quem conhece a Praia do Cassino.
Os molhes também são conhecidos pela pesca e pela presença de lobos e leões-marinhos, que utilizam a região como área de descanso.
Iemanjá e a fé na beira do mar
Outro elemento importante da cultura da Praia do Cassino é a relação com a religiosidade.
O monumento dedicado a Iemanjá, localizado junto à praia, tornou-se um dos símbolos mais conhecidos do balneário. Todos os anos, milhares de pessoas participam das celebrações em homenagem à Rainha do Mar.
Na noite de 1º para 2 de fevereiro, a Praia do Cassino recebe fiéis de diferentes cidades do Rio Grande do Sul e também de países vizinhos, como Uruguai e Argentina. A tradicional caminhada entre Rio Grande e a Praia do Cassino, conhecida como Caminhos de Iemanjá, percorre mais de 20 quilômetros.
É uma manifestação que mostra como a Praia do Cassino ultrapassa a ideia de destino turístico. Para muita gente, o lugar também é espaço de fé, tradição e pertencimento.
Carnaval, verão e vida na rua
A cultura da Praia do Cassino também aparece na maneira como a cidade ocupa suas ruas durante o verão.
O Carnaval é um dos exemplos mais fortes. Segundo a Prefeitura de Rio Grande, dezenas de blocos desfilam pela Avenida Rio Grande durante os dias de folia, reunindo centenas de milhares de pessoas. O evento ajudou a consolidar a Praia do Cassino como um dos principais pontos de encontro da Metade Sul.
A programação cultural não se limita ao Carnaval. Estudos sobre a cultura de Rio Grande registram festivais, shows, música ao vivo, festas tradicionais e eventos realizados na Praia do Cassino ao longo do ano, incluindo a Fejunca, tradicional festa junina do balneário.
É essa combinação de praia, eventos, comércio, música, esporte e convivência que transforma a região em algo maior do que uma simples área de veraneio.
Uma cultura construída no cotidiano
Existe também a Praia do Cassino que não aparece necessariamente nos cartões-postais.
Aquela dos moradores que atravessam a Avenida Rio Grande todos os dias. Dos comerciantes que acompanham as temporadas. Dos surfistas que conhecem o comportamento do mar. Das famílias que frequentam a praia há décadas. Dos encontros nos bares, das caminhadas pela orla, da pesca, das bicicletas, do vento constante e dos dias em que a praia está cheia — e daqueles em que parece pertencer somente a quem vive ali.
É nesse cotidiano que a cultura local continua sendo construída.
E é desse cotidiano que também nasce a nossa relação com a moda.
Vestir a Praia do Cassino
Desde 2017, nossa marca se desenvolve a partir dessa realidade: uma comunidade, um lugar e as referências que surgem daquilo que vivemos.
Não buscamos criar uma imagem distante da Praia do Cassino. Pelo contrário. A inspiração está justamente nas pessoas, nos espaços e nas histórias que fazem parte daqui.
A roupa entra como mais uma forma de expressão dessa cultura.
Não como fantasia de praia, mas como parte da vida de quem vive nela.
Porque existe uma diferença entre simplesmente vender uma peça com o nome de um lugar e construir algo inspirado por ele.
A Praia do Cassino tem uma história que começou muito antes de nós. Tem seus símbolos, suas tradições, seus personagens, seus encontros e suas contradições.
Nossa intenção é fazer parte dessa história sem tentar defini-la.
A Praia do Cassino já tem sua própria identidade. Nós apenas encontramos nela um lugar para criar.
